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O
MUNDO EM NOSSAS MÃOS
O mundo está
cheio de entidades, ONGs e instituições que lutam pela
paz. A palavra PAZ é estampada em todos os lugares,
desde camisetas até painéis luminosos. Eventos coletivos
são promovidos em nome da paz. Compositores musicais de
todos os gêneros cantam a paz.
Ainda que toda a
humanidade corra atrás dela, a paz não é alcançada. Ao
contrário, a guerra é uma constante, embora ninguém diga
que a deseje. Nenhum líder mundial ou Chefe de estado
jamais afirmou desejar a guerra. No máximo, a consideram
um mal necessário, o último recurso para se resolver um
impasse, e, depois de vencê-la, chegar à paz.
As guerras têm na
dominação a sua causa básica e verdadeira. A mais
sofisticada forma de dominação, a econômica, é exercida
pelos países mais desenvolvidos sobre os menos, e, desde
que esses não se curvem, ou, melhor dizendo, insistam em
defender muito bem as suas riquezas, criam impasses para
o país dominador, que, muitas vezes, têm como único
caminho o confronto direto, a guerra.
Quem inicia o
processo da guerra pode ser uma única pessoa, num país
totalitário, ou, em países democráticos, um pequeno
grupo de pessoas, que, por terem sido eleitos, adquirem
o poder de se expressar em nome do país, mesmo que as
pesquisas revelem opinião contrária da população.
Para isso, o
verdadeiro motivo da guerra a dominação precisa ser
mascarado com outro mais aceitável, transformando a
causa da guerra, até mesmo na 'luta do bem contra o
mal', como afirmou recentemente o líder da
superpotência, antes do massacre que instituiu. Com a
ajuda imprescindível da mídia, o inimigo será pintado
como um terrível monstro, que ameaça a paz da região ou
do mundo e que precisa ser extirpado.
Busca-se, desta
forma, a cumplicidade de toda a sociedade, ignorando a
absoluta contradição com princípios religiosos, que
pregam a paz, adotados pelo próprio grupo que promove a
guerra. Finalmente, conseguido um bom motivo, a guerra
poderá ser proclamada, de maneira bastante 'civilizada'
e 'sem ferir os padrões morais e democráticos'.
Portanto, a
guerra consiste num ato de dominação, decidido por
poucas pessoas que detêm grande poder, ainda que, muitas
vezes, no decorrer do conflito, ganhe a aprovação de
parte considerável da população, influenciada pela
propaganda, e também pelo aguçamento do seu lado
heróico, ao saber de seus conterrâneos, mortos no front.
Por outro lado,
cada uma das pessoas que decidem a guerra se diz a favor
da paz. A paz existirá depois de alcançado o objetivo,
ou seja, satisfeito o desejo de dominação. Só que esse
desejo, por ser constante, logo criará nova meta a ser
alcançada, que poderá gerar outro impasse. Aí, a paz
será novamente posta de lado, e se fará outra guerra.
Se prestarmos
atenção, todos nós, em todas as sociedades, somos, desde
crianças, educados para a guerra. A guerra do dia-a-dia
é a competição, que começa nas disputas de liderança
entre os alunos, nas escolas; na luta pelos cargos de
chefia, entre os funcionários das empresas; na luta para
ganhar o cliente da concorrente, entre as diversas
empresas. Nas religiões, na política, nos esportes, no
trânsito, dentro ou fora de casa, no campo ou na cidade,
em qualquer país, democrata ou não.
Enquanto, em todo
o mundo, predominar a competição e o preconceito, a paz
jamais será alcançada. Por mais que se formem grupos,
organizem passeatas, pintem faixas ou joguem bombas, em
nome dela.
Buscar a paz interior é a melhor coisa hoje em dia, já
que milhões são esquecidos no dia seguinte e não
trazem um efeito significativo.
Por:
Leônidas Cardoso.
REGGAESUL.com.br
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