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AS
RAÍZES DO RASTAFARI
A morte do imperador da Etiópia, Haile Selassie
I, a 27 de Agosto de 75, parecia ser o golpe fatal no
movimento Rastafari.
Para os rastas,
ele era a encarnação de Deus ou Jah, que é uma
abreviação do nome bíblico Jeovah, usado para designar
Deus ou a sua encarnação terrena, que segundo os rastas
é o imperador Selassie I.
A função de Jah
era a de conduzir os negros do mundo inteiro à redenção
e à vitória, na luta contra a babilónia, que representa
um local imaginário do sistema social, construido
através da escravização dos negros, chamados de dreads,
que era o mesmo que dizer rebelde, porque todo o
verdadeiro rasta é também um dread.
Origens
Tudo começou
quando o movimento Rastafari teve início na Jamaica, com
o episódio da revolta dos maroons, um quilombo bem
sucedido, formado por escravos fugitivos que resistiram
por mais de 80 anos ao exército inglês e tornaram-se
independentes do governo colonial.
Um dos capítulos
decisivos desta história é a trajectória de Marcus
Garvey, um jamaicano descendente dos maroons, que se
tornou famoso como líder do movimento negro nos EUA e na
Jamaica no início do século. Uma das iniciativas mais
importantes promovidas por Marcus Garvey foi a
libertação de África do domínio colonial europeu.
As ideias de
Marcus encontraram eco entre os líderes religiosos da
Jamaica, o que deu origem ao aparecimento do conceito de
Zion, a terra prometida.
Nasce a Luz de Jah
Mais tarde surge
o profeta anunciado por Marcus, o Ras Tafari que adoptou
o nome de Haile Selassie I, que se proclamava o legítimo
herdeiro da antiga linhagem do rei Salomão e que seria o
messias, que iria libertar os negros do mundo inteiro e
levaria-os de volta à terra dos seus pais. Mas como se
isto não bastasse Haile Selassie I foi considerado a
encarnação de Deus, e que segundo a sua interpretação da
bíblia seria um negro, nasce assim o movimento Rastafari.
A partir deste
momento Haile Selassie I era a fonte de inspiração para
os rastas, e foi a partir da década de 60 que o
movimento Rastafari, ganhou maiores proporções, um
crescimento que se deve em grande parte ao reggae.
Jah Hoje
Quando o grande
profeta morreu, o reggae já tinha espalhado as sementes
da planta Rastafari, pelos campos de cultivo do planeta.
As poderosas
melodias de Bob Marley foram as primeiras a semear as
ideias, crenças e as atitudes dos rastas e deram aos
negros das Américas uma forma alternativa de conhecerem
a sua história, ou seja, através do mundo simbólico do
Rastafari o Homem Negro pode ter uma imagem positiva
dele próprio- uma imagem baseada na valorização das suas
raízes.
Após os
atribulados anos 80, que provocaram um certo recuo no
reggae, as vibrações de Jah estão a voltar a ganhar
poder no reggae e assim os Rastafaris continuam a sua
batalha pela defesa social e igualdade de direitos, não
só na música como noutros campos.
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