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 REGGAE NO BROOKLIN OU HIP HOP EM TRENCHTOWN?

 

   Como o tempo passa, as coisas mudam. Dentro do reggae não poderia ser diferente, o ritmo consagrado por Bob Marley, Peter Tosh entre outros está sofrendo uma fusão muito forte com o hip hop, talvez isso não aconteça no Brasil onde às bandas quando fazem uma fusão é mais para o lado pop ou rock.

   Mas lá fora o bicho está pegando mesmo, nos Clubs da Jamaica é difícil ouvir aquele reggae raiz de antigamente, o dancehall e Raggamuffin fazem a cabeça dos jovens e são sempre top nas pistas.

   Talvez o exemplo com mais ascensão hoje em dia seja o jamaicano Sean Paul, que grava músicas com artistas do meio hip hop e pop, vai ao grammy e fatura o melhor álbum de reggae na frente de artistas consagrados como Wayne Wonder, Buju Banton e Burning Spear mesmo não fazendo reggae. Seria irônico se não fosse triste ver grandes nomes esquecidos por parte da mídia fonográfica.

   No Brasil a cultura hip hop é mais voltada para o povo da periferia que canta sua realidade, diferente dos EUA onde carrões importados e objetos de luxo fazem parte hoje de clipes e mostra uma cara diferente dos primórdios do movimento, assim também como está acontecendo com o reggae, porém de uma forma nem tanto escancarada e “luxuosa”.

   Essa simples coincidência talvez explique essa fusão de ritmos. Até Ziggy Marley lançou seu ultimo album com uma forte pitada pop, porém ainda canta reggae e não fugiu do estilo que consagrou seu pai.

   Entre os artistas do meio reggae muitos músicos considerados até mesmo tradicionais acham importante essa fusão reggae com outros ritmos, pois seria como tudo na vida, evolução. Afirmam que não é possível hoje querer ficar fazendo reggae como antigamente, pois os tempos mudaram, a tecnologia mudou (hoje muitos efeitos são introduzidos e antigamente não era possível, o reggae era mais levada no baixo, teclado e instrumentos percussivos), o modo das pessoas pensarem mudou, então porque o reggae não poderia ser diferente? Afirma os defensores essa nova onda.

   Ha quem diga que até Bob Marley, mundialmente conhecido por levar o reggae a conhecimento do mundo tinha suas fusões,o que não deixa de ser verdade, a musica Punky and Reggae Party mostra a simpática relação entre Bob e o mundo punk, que não era aprovado por seus parceiros nos Wailer’s.Ele acreditava que o que os aproximava eram as idéias baseadas no mesmo ideal, tanto por parte do reggae quanto do punk, pois os dois movimentos criticam as desigualdades sociais, preconceito, violência e corrupção. Mas Bob nunca deixou de fazer musicas genuinamente regueiras com as fortes mensagens de protesto, amor e paz.

   Por outro lado muitos ainda preservam essa cultura reggae raiz dos tempos em que Kingston era lotado de Sound System’s, as radiolas maranhenses, por exemplo, podem ser talvez o maior exemplo onde vinis antigos e raros são essenciais na agulha e nunca saem de circulação.

   Entre as bandas no Brasil Jah Live, Djambi, Ponto de Equilíbrio, Mosiah, Leões de Israel e Dago Miranda ainda seguem a linha roots, e assim agradam o publico que prefere essa linha. E publico a esses e outras bandas consideradas roots é o que não falta.

   Com fusão ou não, reggae, hip hop, rock, punk, pop o importante é não deixar de curtir as boas vibrações que o reggae traz e sem esquecer que o reggae é do gueto, quem fez ele tinha sua verdade, não a deixe morrer.

 

Fonte: Augusto Freire – ReggaeVale.com.br

 

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