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ENTREVISTA
CHIMARRUTS
(REGGAE SUL) O
que o público da Chimarruts pode esperar para o terceiro
CD?
(Rafael
Machado) Iremos tentar trazer
todos os elementos da nossa musicalidade, das nossas
mensagens que já estiveram em outros discos, o público
pode esperar o mesmo estilo da banda, mas com um
amadurecimento musical maior, mas não mudaremos em nada
a nossa essência, a intenção da mensagem será a mesma.
(REGGAE SUL)
Existe algum público foco da banda Chimarruts ? Devido a
banda ter um público bem jovem?
(Rafael
Machado) Não, nós fizemos
música para todo mundo, nunca tivemos "foco" nenhum,
muito pelo contrário.O nosso objetivo sempre foi fazer
uma música universal, uma música que pudesse abranger
qualquer pessoa, de qualquer, sei lá, lixo ou
qualificação.Nós não temos esse cuidado, pelo fato de
acreditarmos que "ser humano"é "ser humano",não tem
muito esse foco aí de tipo de pessoa, público
alvo,procuramos fazer uma coisa de senso comum,com maior
nível de pessoas que entenda o melhor possível.
(REGGAE SUL)
Pelo que sabemos no site e nas ruas, ouvimos bastante a
expressão "reggae POP"quando se fala em Chimarruts, o
que você tem a falar sobre isso?
(Rafael
Machado) Eu acho que tem a ver
com aquilo que todo mundo conhece né?! Tem a ver com
aquela musicalidade que qualquer tipo de pessoa vai
escutar e vai entender, não só uma linguagem de um grupo
de pessoas, acho que tudo que não é restrito a um grupo
só, é isso mesmo, é POP eu acho, com certeza isso
existe, se tu busca uma linguagem que só um determinado
tipo de pessoas entende...a gente não busca isso, a
gente, como eu disse ali, ser humano é ser humano, as
pessoas são mais iguais que imaginam e isso de tentar
repartir o público em gavetas, eu acho até uma atitude
não artística e não humana.Então, a gente nesse sentido
busca isso e eu acho que existe não só no reggae como em
todos os gêneros,dentro de todos os gêneros vão ter
músicas que vão ser melhor compreendidas e entendidas,
que é o mais importante.
(REGGAE SUL)
As influências da banda mudaram do início da carreira
para os tempos de hoje?
(Rafael
Machado) Continuam as mesmas,
a influência da música brasileira pintou para nós como
uma forma natural, todos nós já tivemos uma vivência
tocando música brasileira, ou escutando, para nós a
influência da música brasileira é uma coisa bem natural.
Mas tem aquele tipo de influência que a gente busca
também. Na verdade a gente busca esse MIX de tudo, a
nossa musicalidade, o que a gente aprendeu
intuitivamente com coisas que a gente acha legal, né?!
Muita influência do reggae jamaicano, do reggae
brasileiro a gente gosta muito também, todas as
bandas.E, sobre tudo de coisas que acontecem na vida,
acho que a nossa principal influência é tentar fazer uma
coisa que tenha uma conexão com a realidade, com coisas
que acontecem mesmo, a gente se influencia muito nisso
pra fazer música e nas nossas crenças também.
(REGGAE SUL)
Se você fosse citar uma banda que a Chimarruts ouve na
“van” indo para o show, qual seria?
(Rafael
Machado) A gente é muito de
ouvir muita coisa, ouve tudo mesmo cara! Tanto que
dificilmente a gente fica ouvindo a mesma coisa,
curtimos tudo, ouvimos muito reggae, música brasileira,
jazz, assistimos muitos vídeos de jazz. Mas ouvimos
tudo, na real, de Leny Kravitz a Zeca Pagodinho(risos).
(REGGAE SUL) O
que a Chimarruts era antes de vocês serem a Chimarruts?
Eram todos voltados para a área musical?
Rafael Machado: A gente
sempre esteve no caminho da música, mas fazia de tudo
para se virar na vida, eu já trabalhei na construção
civil, fui artista plástico também, vendia peças de
cerâmica, entregava panfletos, ia se virando,né?! A
maioria ficava no sub emprego e estudando junto, sempre
se virando também com a música. Fazia um showzinho aqui,
outro acolá, de três anos pra cá que a gente trabalha só
com a música mesmo. O próprio aprendizado da música não
é instantâneo, requer anos de experiência, o próprio
desenvolvimento de contexto de banda não é instantâneo:
é radio, TV, mídia, público, propaganda, enfim, dentro
disso em primeiro lugar o estético, o belo, o bom é o
caminho que nunca para de aprender.
(REGGAE SUL)
Em seu primeiro CD a Chimarruts foi um fenômeno musical,
mas também de marketing devido ao grande público. Quais
foram as táticas usadas pela banda?
(Rafael
Machado) Na real tivemos
várias fases, gravamos o primeiro CD independente, nós
pagamos tudo, gravação, mixagem, enfim, tudo mesmo. Nós
mesmos vendíamos os nossos CD's de mão em mão, pedíamos
para os nossos amigos pedir a nossa música nas rádios.
Teve uma época, no começo, que estávamos relembrando um
dia desses e rindo(risos),pois a gente ia com
panfletinho com o nome e o número das rádios para
pedirem a nossa música, inicialmente foi essa, mas logo
depois a gente entrou para a gravadora, ela tem a
metodologia de mídia e logística.
(REGGAE SUL) A
Chimarruts chegou a ouvir muito "não" das casas de shows
no início da carreira?
(Rafael
Machado) Não, tocávamos em
casas de amigos e nas ruas, nunca saímos procurando
casas de shows. Nos preocupávamos com a música.
(REGGAE SUL)
Como foi a experiência da banda no Rock Gol 2005?
(Rafael
Machado) Foi interessante,
tivemos contato com outros músicos, amizade que se cria
lá, esse intercâmbio com outras galeras foi legal.
(REGGAE SUL)
Você confirma que a Chimarruts pretende mudar de estilo,
com um reggae mais político e mais crítico?
(Rafael
Machado) De certa maneira a
nossa música já é isso, porque não precisa
necessariamente citar a política para fazer política,
mas eu não sei cara, a gente não se preocupa muito com
isso, a gente procura fazer uma coisa mais livre mesmo e
que seja um reflexo de como o povo, as pessoas e a rua
realmente estão sentindo, eu acho que como muita gente,
a gente se preocupa com isso, com política e tal e quer
uma transformação social, mas também acho que é uma
coisa de todos, entendeu? A partir do momento que todo o
povo realmente quiser isso, a gente vai ser o porta-voz
disso, com certeza, mas como diz respeito a todos, todos
tem que querer e estar de peito aberto para isso.Uma
coisa que eu vejo que acontece muito no Brasil e América
Latina, com esta questão de música politizada e música
de protesto, ela quer convocar as multidões mas conversa
com espelhos, ou seja, não instiga a coletividade, é uma
coisa que só quem é politizado entende, ou quem gosta do
gênero entende, então isso é difícil mesmo, na Jamaica
foi assim, a música só foi um reflexo do que estava
acontecendo na rua e do que o povo realmente queria,
lutava e lutou por isso. Eu vejo que o nosso povo tem
outra maneira de encarar essas mazelas, o mundo está
lotado de gente que fala que o povo brasileiro é
ignorante, não entende disso, não entende daquilo. Eu
descordo, acho que o povo brasileiro tem muita
consciência do que é a realidade do nosso país e do
mundo inteiro, tanto no que diz respeito a política
quanto economia, o povo brasileiro tem a posição de não
se sentir uma vítima disso, entendeu? O povo brasileiro,
ao invés de dizer "ah! como o sistema é cruel com o
nosso povo" ou, "a gente está mal por causa das grandes
corporações dos Estados Unidos". Não, o povo
simplesmente não aceita isso e vão á luta, preferem
lutar, eu acho certo, esse é o grande valor do povo
brasileiro, apesar disso ser uma realidade, ele não se
sente uma vítima por isso, o povo não deixa de viver, de
sobreviver. Então eu acho que é só uma questão de tempo
mesmo.
(REGGAE SUL)
Deixe um recado para a galera que acessa o site REGGAE
SUL.com.br:
(Rafael
Machado) Continuem dando força
para o reggae, para todas as bandas e que DEUS ILUMINE A
TODO O MUNDO SEMPRE.
Entrevistado por: Juninho Mello & Mabel Barcellos.
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