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O reggae é a música
produzida no Terceiro Mundo de maior sucesso e prestígio em
todo o planeta. Nasceu na Jamaica - uma ex-colônia inglesa do
Caribe, que teve a população indígena original praticamente
dizimada depois da chegada dos europeus, capitaneados por
Cristóvão Colombo.
Em 1509, sem força de trabalho
para explorar, os espanhóis iniciaram um dos processos mais
traumáticos da história humana, levando para a ilha grandes
levas de escravos africanos com o objetivo de executar
trabalhos que, eles mesmos, os brancos, desprezavam. De alguma
maneira, foi aí que o reggae nasceu.
Primeiro, surgiram os cânticos
dos escravos, trazidos da África. Depois, numa tentativa de
dominar o ambiente hostil (que os proibia de cultivar as
tradições africanas), os escravos começaram a se adaptar à
cultura do dominador, criando o primeiro produto deste
entrecruzamento: o mento. Do mento para o reggae, o pulo é
enorme e um ouvinte que queira estabelecer conexões e
coincidências entre os dois estilos pode ficar sem qualquer
pista.
Mas o reggae nasceu daí. Antes de
produzir o reggae - como ficou conhecido no mundo através das
músicas de Bob Marley, Jimmy Cliff, Peter Tosh e Gregory
Issacs - os jamaicanos se ligavam mesmo era nos ritmos centro
e norte-americanos.
Das ilhas vizinhas, curtiam o
calipso, a rumba e o cha cha cha. Dos Estados Unidos, ouviam
as big bands, o jazz tradicional e o rhythm'n'blues. Como a
Jamaica é um país pobre, os novos autores não tinham como
mostrar ou gravar as próprias criações.
Mas estes estilos foram
fundamentais para a música que seria produzida nas décadas
seguintes. A primeira manifestação mais próxima do reggae
atual foi o ska. Com uma batida constante e nervosa, o gênero
fez grande sucesso na ilha, atraindo a atenção dos jovens para
o seu ritmo frenético, através de grupos como os Skatalites,
Ethiopians e Wailling Wailers.
A partir da desaceleração do
tempo original do ska, surgiu o rock steady, música que falava
sobre a realidade dos guetos, de amor e tocava, pela primeira
vez, no culto ao rastafarianismo. Se o ska é o avô, o rock
steady é o pai do reggae. Mais lento ainda que o rock steady,
o reggae surgiu como a síntese de tudo o que vinha sendo feito
anteriormente (rastafarianismo, letras que falavam do
cotidiano e de amor), adicionando um elemento fundamental para
a sua propagação: a preocupação política.
O nome "reggae" surgiu ao acaso.
Não tem significado próprio. É quase uma onomatopéia do
próprio ritmo da música. Foi usado pela primeira vez numa
canção em "Do The Reggay", gravada pelo grupo Toots & The
Maytals, em
1968. Musicalmente, foi definido como estilo quando o baixo
oscilante do bruxo Lee Perry (líder da banda The Upsetters) se
libertou do comportamento habitual, passando a marcar o ritmo
em vez de manter-se acomodamente como harmonizador das canções.
Para o mundo, o reggae apareceu
no começo dos anos 70, em Londres, cantado por Eric Clapton. O
hoje clássico "I Shot the Sherif" foi o primeiro reggae a
freqüentar as paradas de sucesso da Europa e Estados Unidos e
foi através dela que o Brasil também conheceu o novo estilo.
Robert Nesta Marley, o Bob Marley, era o autor da canção e
também o nome mais promissor do estilo de então. O tempo
confirmou o prognóstico: com Jimmy Cliff e Peter Tosh, Marley
e o grupo The Wailers fizeram os discos básicos do reggae -
referência permanente para quem faz o reggae.
A morte do ídolo, em 1981 e
posteriormente de Peter Tosh em 1987, preconizou o fim de uma
era e ameaçou o prestígio e popularidade do estilo em todo o
mundo. Mas a enorme capacidade de regeneração e transmutação
fez com que o reggae expandisse o território de atuação
influenciando movimentos importantes como o two tone inglês
(punk + ska), o dancehall (reggae + tecnologia), o african
reggae (reggae + música tradicional africana), o
raggamuffin'(toast + dancehall), o samba-reggae (música afro-brasileira
+ reggae) e disseminando-se no hip hop, jungle, trip hop e
atualmente bhangra reggae - estilos que passaram a adotar a
música jamaicana como semente inspiradora.
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